quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ENSAIO SOBRE O FIM DO MUNDO

Crise na economia mundial. Há quase um mês só se fala em bolsa de valores, pacote de ajuda dos Estados Unidos, salvar os bancos, o câmbio do dolar, crise , crise, crise!!!


Parece o fim de como conhecemos o mundo. Grande mobilização para salvá-lo, e, quem não fazia parte da festa mesmo assim será convidado a pagar a conta. Um convite que não vai poder recusar. Alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo. Palhaço que sou, quero mais é assistir às labaredas sentado numa poltrona,tomando suco e comendo pipoca. Que me chamem de ignorante por também ter a perder com o fim do mundo, já que até no preço da pipoca vão me fazer pagar a conta .


No domingo, enquanto o mundo não acaba, fui assistir a "Ensaio sobre a Cegueira"(Blindness) no cinema, um lugar adequado para se comer pipoca, mas em vez de pipoca comi uns salgadinhos, em companhia de uma garota interessante, o que rendeu um agradável papo depois do filme.
Antes disso me preparei para o cinema reassistindo em DVD ao filme anterior do diretor Fernando Meirelles, "O Jardineiro Fiel" . Lá estava a África servindo de palco para um suspense + bela história de amor, como em outros ótimos filmes nos últimos anos, entre eles, "Diamante de Sangue" (que retrata Serra Leoa, com Leonardo di Caprio) e "Hotel Ruanda".
A África está lá depois do Oceano Atlântico, também um pouco em cada esquina, e pouco ou muito em cada família. Pensando nas nossas virtudes e problemas herdados de além mar vejo "Ensaio Sobre a Cegueira" (Blindness), onde uma São Paulo que fala inglês faz o papel de qualquer metrópole.

O enredo básico da "...Cegueira" : ocorre uma epidemia de cegueira e os doentes são isolados para evitar o contágio de ainda mais pessoas.

A tese sobre a "...Cegueira" : "A Ocasião Faz o Ladrão". Ou pelo menos "mostra o ladrão", quando as privações por que passamos personagens revelam suas verdadeiras faces, mostradas ainda mais facilmente quando nem eles mesmo podem vê-la devidoà cegueira.

O Diagnóstico Sobre a "Cegueira" : Belo em sua realização, belo até pelo simples fato de ter sido realizado, já que foi a adaptação de um livro certa vez chamado de inadaptável, do escritor português José Saramago , até hoje único Prêmio Nobel em nossa língua. Ainda assim com imagens feias da degradação humana emoldurada pelo concreto de qualquer metrópole.


Como disse, depois do filme rolou um papo cabeça com uma garota interessante (sem nomes, ok?). Pensamento na crise, lembrando da África como retrato dos que vão pagar a conta sem participar da festa, tudo parece complexo, pois como sempre,e como a canção, "o mundo anda tão complicado". É a crise, é o capitalismo, são as pessoas, é macho, é fêmea... Ensaiei uma tentativa de entender a alma feminina. Quem leu meus últimos textos aqui no blog pode me imaginar o retrato do homem compreensivo e sensível, e... "será que ele tem a tal pegada?". Será???


Acordo cedinho na segunda-feira e a manchete do jornal me lembra que no dia anterior a Seleção Brasileira jogou contra a Venezuela pelas eliminatórias para a Copa do Mundo : "4x0- com Kaká,Brasil dá show." e logo abaixo: "Brasil agora está em segundo na classificação , à frente da Argentina". Senti uma alegria tola e vã. Pensei: "Brasil goleando a Venezuela e à frente da Argentina! O mundo voltou ao seu eixo". Perdoei a mim mesmo pela insensibilidade perante as dores do mundo, e me permiti não fazer sentido algum. A meta agora é a seleção atravesar o Atlântico e desbravar a África no próximo mundial, a Copa da África do Sul , em 2010.


No fim das contas, seja qual for meu curriculum, meu conhecimento sobre cultura, se tenho ou não tenho a pegada, sensível ou não, sorry, ladies, but I'm just a man! (Desculpem, senhoras, mas sou penas um homem!)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SINFONIA VIVA

Que as mulheres gostariam de ter a facilidade de fazer xixi em pé, sem nenhuma cerimônia, principalmente quando a vontade aperta no meio da rua, a maioria assume sem problema algum. Mas duvido que alguma ache nosso aparelho reprodutivo, ou pra ser menos formal, nossa área de lazer, melhor do que o delas. Ao menos, as bem informadas. ...Ou bem tocadas.
Fazendo uma analogia, o corpo feminino no decorrer da história sempre foi um magnífico instrumento musical a mercê dos conhecimentos do músico. Casanovas e Don Juans sempre foram aplaudidíssimos por sua capacidade de retirar as mais belas notas de um instrumento que nem todos conseguem tocar tão bem.

Entretanto, o músico sem o instrumento, não impressiona só assobiando. O corpo feminino, impregnado de música, é a fonte das grandes sinfonias e das canções singelas. No corpo masculino a área musical é mais concentrada, e por mais magnífico que seja seu oboé, o corpo feminino é uma orquestra. Flauta, saxofone, fagote ou oboé, com um pouco de boa vontade, não é tão difícil tirar um belo som do nosso instrumento. Fácil, fácil de ser aplaudida de pé.
Com o mesmo interesse é possível um autodidata se tornar um grande músico na orquestra feminina. Fica mais fácil quando o instrumento mulher não espera que o músico tenha poderes sobrenaturais, seja um X-Man que lê mentes. Um bom aluno é guiado pelos pequenos sons, os gemidos, mas alguns precisam de mais instruções.
Felizmente, nos tempos atuais, a mulher também tem se responsabilizado pela busca do prazer. São tão autoras de suas sinfonias quanto os músicos. Bem justo que na língua portuguesa, o feminino da palavra músico seja a própria música (pra evitar confusão, criou-se a palavra musicista).


Houve um tempo em que um homem renomado, criou uma teoria que dizia que as mulheres invejavam nosso instrumento. Sigmund Freud, pai da psicanálise, e autor de tal teoria, nunca deve ter visto uma mulher em plena apoteose rítmica. Ou ele talvez teria ficado encucado com a diferença, comparando com o efeito de sua flautinha. Se Freud teria motivo para ter inveja, e a teoria talvez fosse o inverso, nós nunca saberemos.
Os homens não precisam deixar de amar seus saxofones, fagotes, oboés ou flautinhas. Mas não vá empinando o nariz e fazendo pose, mesmo que ela arregale os olhos diante da extensão de seu
instrumento. Você vai precisar de mais do que tamanho para fazê-la virar os olhos. E se for um bom músico, não há porque lamentar ao ver que Deus dotou as mulheres com a capacidade de atingir notas que você jamais atingirá, agradeça a Papai do Céu por poder fazer parte dessa festa que não é só para os ouvidos.

sábado, 4 de outubro de 2008

FALAR, FALAR, FALAR... E ALGUÉM QUE OUÇA - Do Que As Mulheres Gostam - parte 3

Um homem precisa saber que há uma parte de seu corpo que ele vai ter que usar mais que as outras se quiser realmente agradar e fazer feliz uma mulher. Se começou a pensar na sua preocupação com os centímetros e a firmeza, ou com o tempo que você consegue manter essa parte de seu corpo em pleno funcionamento, devo informar que estou falando de algo que normalmente temos em pares e não aumenta de tamanho em momentos mais, digamos, estimulantes : os ouvidos.

Antes quero que lembre se conhece ou já conheceu alguém com problemas de gagueira. Pense bem, já conheceu algum gago? Pense um pouco mais: já conheceu alguma gaga? Se a resposta para a segunda pergunta é afirmativa, saiba que você conheceu um espécime raro: mulheres são minoria entre os gagos. Pergunte a algum fonoaudiólogo, e ele vai lhe dizer que a maioria dos seus pacientes com problemas na fala (que não tenham problemas auditivos) são do sexo masculino.Saiba também que, em geral, meninas desenvolvem a fala mais cedo.

Meu filho Gabriel deu seus primeiros passos no dia exato em que completou 8 meses. Passos quase perfeitos, seguros, sem apoio algum. Apesar da precocidade, tive que esperar beeem mais para que o que ele balbuciava fizesse algum sentido.


Faça o seguinte teste: converse um assunto que exige mais atenção ou raciocínio com uma mulher que esteja digitando um texto na frente de um computador. Depois faça o mesmo com um homem. Vou adiantar pra você o resultado. Normalmente o homem terá que fazer pausas para prestar atenção no que se diz e às vezes até pra falar, enquanto uma mulher vai desenvolver as duas funções (conversar e digitar um texto no computador) com bem mais desenvoltura. Há muitas excessões mas muitos dados levam a crer que a habilidade da fala é naturalmente mais desenvolvida nas mulheres, como se nós homens tivéssemos que correr atrás do que Deus dá a elas de graça.

Falando em Deus, considerando o que a Bíblia diz sobre Adão ter sido criado primeiro, ele não falava muito até porque não tinha com quem conversar (Deus não podia ficar batendo papo com ele o dia todo), mas Eva foi criada justamente pra fazer companhia ao homem. Não devia ser uma garota tímida. Se a Bíblia for só alegoria (verdadeira, mas não pra serinterpretada ao pé da letra), talvez isso signifique que o primeiro homem das cavernas a falar foi na verdade uma mulher das cavernas. Agora chegamos ao ponto, quando a força bruta importava mais que o intelecto, o homem, com seus músculos dominou o mundo e impôs as funções da mulher. O lugar dela era a dentro de casa, de preferênciana cozinha. Mas quando o homem foi se desenvolvendo, ficando menos bruto, ele viu que usando a força não tinha o corpo da inteiro da mulher. Faltava o coração.

Aí o homem teve que aprender a falar bonito. Foi meio complicado,para quem estava acostumado a grunhir. Dedicado como era, o homem se tornou poeta, a mulher sua inspiração. Metido a dominar e impor regras, o homem criou a gramática. Conquistou o coração da mulher com suas palavras doces, mas ainda era meio mandão.
Aí a mulher também evoluiu. E quer mais. Quer ser ouvida. Afinal,aprendeu a falar primeiro que o homem. Quer que o homem aprenda outra lição que ela aprendeu primeiro: ouvir.
Elas a-do-ram falar!!! Concordo que existe a mulher xingadora compulsiva, e homem nenhum tem que dar ouvidos a uma enxurrada de palavrões, que ouvido não é penico. Mas se o homem prestar mais atenção no que diz a mulher vai deixá-la mais feliz, e será mais feliz, pois vai ficar mais à vontade para usar outras partes de seu corpo em benefício dela e dele mesmo, e se preocupar menos com centímetros.

domingo, 28 de setembro de 2008

ESSA TAL PEGADA - do que as mulheres gostam - parte 2

"Voe como uma borboleta, pique como uma abelha" ("fly like a butterfly, sting like a bee") - esse era o lema de Muhammad Ali, maior boxeador que já existiu, referindo-se principalmente à maneira como lutava, mas servia para outros aspectos de sua vida, saber a hora de ser suave e a hora de ser agressivo. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo.

A agressividade das armas (guns) e a suavidade das rosas (roses) conquistaram 9 entre 10 adolescentes na virada dos anos 80 para os 90, quando as baladas românticas derramadas e rocks incendiários do grupo norte-americano GunsRoses atingiu o mundo pelas ondas das rádios. Infelizmente a banda acabou quando a mistura desandou principalmente porque Axl Rose, vocalista da banda, mandou a suavidade pro espaço e começou a picar todos como uma abelha.

Arriscando desvendar com palavras o que seria essa tal "pegada" que as mulheres querem que seus homens tenham, seria saber dosar como Muhammad Ali, a hora de alisar e a hora de apertar. Será que Axl Rose errou na dose não só com seus companheiros ? Um dia ele escreveu a canção "Sweet Child O' Mine" (minha doce criança) pra sua mulher, outro dia se separaram. Não antes de ele dar muita porrada nela. Ele exagerou no "picar como uma abelha". Ou é isso mesmo que elas querem?

Nelson Rodrigues, escritor e dramaturgo pernambucano, cheio de frases polêmicas, um dia veio com essa : "Existem dois tipos de mulheres: as que não gostam de apanhar, e as normais" .

Há realmente mulheres que gostam de homens chucros, brutos? Ou elas não encontraram alguém que sabe dosar a força que tem para o benefício de seus corpinhos delicados? Esse gostar de apanhar pode ser de brincadeirinha, não pode?

Se é difícil definir com palavras, pode ser bem simples desenvolver (pra quem não tem) a pegada. É manusear cristal com mãos de gorila: não deixe de ser um gorila por estar manuseando cristais, tendo curiosidade e jeito pra investigar aquilo que é tão diferente de sua natureza mais bruta. .... Com cuidado pra não quebrar.

Voar como borboleta? Picar como uma abelha? Agressividade das armas e suavidade das rosas? Mãos de gorila? Que criatura estranha seria essa?

Simplificando: quente- frio, claro-escuro, apertado-solto, pode-se usar várias palavras opostas pra se definir isso, mas as damas chamam de "ter a pegada". E você tem ou não tem.

domingo, 21 de setembro de 2008

DO QUE AS MULHERES GOSTAM - PARTE 1 - BELEZA MASCULINA

"Você é luz, é raio estrela e luar, manhã de sol, meu - meu -. Você é sim, e nunca meu não, quando tão louca me beija na boca me ama no chão" . Acho que quase todo mundo conhece essa música. Bonitinha e gostosa de cantar, não? Será que todo mundo sabe que ela é do Wando? Quem? Aquele cantor que adora cheirar calcinhas em público, faz cara de tarado, e cuja música é classificada como "brega" e "de motel". Mesmo quem cai na lábia dele e se sente atraída pela cara de tarado dele concorda que ele feio. Eu acho que concorda.Quer dizer achava. A irmã de Altair acha ele lindo.
Quem nunca teve um amigo que era como um irmão, mas que tinha uma irmã que despertava olhares e/ou pensamentos nada fraternais? Pois é. Perdi contato com Altair, amigo que era como um irmão pra mim. Ele tinha 3 irmãs lindas, só uma delas solteira. Ok, essa solteira não era só linda, usemos a palavra certa aqui, era gostosa. o, eu não provei. Até porque ela estava bem mais interessada no Wando, que ela dizia ser lindo! Lindo?Lindo? Até Altair ficava indignado. Pois é: Wando é lindo -dependendo dos olhos de quem vê!
"Beleza faz mais falta pra mulher do que pro homem", Wando podia ter dito isso, mas quem disse foi Paulo Ricardo. Ah, qual é? Beleza não faz falta ao Paulo Ricardo porque ele sempre teve! Mas Paulo Ricardo deve estar certo, se considerarmos Wando!



Consideremos outra figura notória. O que acham do José Mayer, galã das telenovelas há anos, quase sempre interpretando homens rústicos,cabras machos sim sinhô? Parece que a mulherada gosta. Já perguntaram ao próprio se ele se achava bonito. " Eu não gosto de mim parado. Numa foto eu não tenho nada de especial. Mas eu gosto de mim em movimento, falando... Assim eu sou interessante".

Bingo! Beleza masculina é atitude! É isso? Isso até minha amiga psicóloga, Priscila Duarte, já tinha me falado, quando soube que estava me exercitando. "Isso é muito bom. Mas pras mulheres você pode até ter uns quilinhos a mais se tiver a atitude certa". Humm, tudo bem, mas mesmo assim eu vou me livrar da barriguinha. "Beleza faz mais falta pra mulher..."? É verdade que os homens são bastante visuais.


Aparentemente algumas mulheres em formação valorizam mais um corpo malhado, quando se tornam mais interessantes, mais inteligentes, elas não deixam de gostar de músculos, mas não parece ser nem um pouco excencial. Nesse aspecto nós homens nunca evoluímos. Uma boa notícia para as meninas é que nós não somos nem de longe tão críticos quanto as mulheres são umas com as outras. Não conseguimos ver os defeitos da Juliana Paes que todas as namoradas e esposas do Brasil percebem.

Mas o assunto aqui é a percepção feminina de beleza masculina. Vocês são realmente bem mais auditivas do que visuais? É só chegar com um "meu -, meu -" com jeitinho no ouvido de vocês e já é considerado lindo? "Eu falo tudo que ela gosta de escutar! Deve ser por isso que ela vem meprocurar" (Charlie Brown Jr.)???

domingo, 14 de setembro de 2008

A SAUDADE PELOS SOLDADOS RYAN

"O Resgate do Soldado Ryan" é o melhor filme de guerra já feito. Ponto final.
Eu o classificava empatado com "A Lista de Schindler", mas Steven Spielberg , diretor desses dois filmes, diz que "A Lista ..." não é um filme de guerra pois o tema holocausto deve ser classificado numa categoria à parte.
Se o ômi disse...



Os primeiros 25 minutos de "O Resgate do Soldado Ryan" reconstituem o Dia D (a invasão, na Segunda Guerra Mundial, da região da Normandia, no norte da França, pelas tropas aliadas) . A perfeição é abalizada pelos veteranos que viveram pra contar a história. O filme tem 2 horas e 58 minutos, mas dizem que os 25 minutos iniciais já foram o suficiente para que Spielberg ganhasse seu segundo Oscar de melhor Diretor (o primeiro foi por "A Lista de Schindler") .

Quem costuma fechar os olhos nas cenas fortes de um filme vai passar esses 25 minutos iniciais evitando ver pernas e braços sendo arrancados e tripas à mostra. Passei sem piscar pelos 25 iniciais, mas senti meus olhos umidecerem na cena em que uma mãe recebe o aviso de que perdeu 3 filhos na guerra. As pernas não agüentam o peso do corpo da Sra. Ryan, que se ajoelha diante da dor da perda.
A dor da perda de um filho.
Por que a dor de quem fica me comove mais do que a dor de quem se foi?
Com o nascimento do meu filho eu pensei numa solução para os problemas da humanidade: ter filhos. Bastava todos terem filhos e esse sentimento que eu tive que me fez querer ser alguém melhor pegaria toda a humanidade. A humanidade se empenharia a melhorar o mundo e tudo ia se resolvendo.
Com as constantes notícias de crianças sendo arremessadas pelas janelas pelos próprios pais, fica claro que ter filhos não funciona do mesmo jeito pra todo mundo. E mesmo quando funciona em relação aos seus próprios filhos, na maioria das vezes esse sentimento não se transfere para os filhos dos outros, ou os governantes evitariam essas guerras em que só os filhos deles não vão.

Fui ao cinema com Cassiana, amiga e ex-namorada, assistir ao filme "Juno" , aquele sobre a adolescente que fica grávida que concorreu esse ano ao Oscar de melhor filme, e levou o de melhor roteiro original. O filme levou ao tema gravidez, parto, medo do parto... Cassiana e eu não entendíamos esse pavor do parto da mulher moderna. Nossas avós pariram o mundo, poxa vida!
"Se eu tenho um útero eu nasci pra parir!" , simplificou Cassiana, "se eu pudesse eu ia ser uma parideira, vivia tendo menino porque eu adoro criança". Claro que ela sabe que não dá pra ser assim, mas bastava o mundo ser melhor com as crianças e Cassiana podia parir todo ano, ou ano sim ano não, que ninguém é de ferro!
Podem me chamar do que quiserem , mas foi uma das coisas mais sexy que já ouvi uma mulher dizer. Tão, tão... Tão FÊMEA! ? Não querem homens machos? Que sejam tão fêmeas quanto Cassiana!
Agora sério, essa temporada de caça a crianças preocupa. E quando nossos filhos crescem em que guerra eles vão estar? Cada dia é um dia D, uma grande batalha para voltarmos vivos pra casa.
Infelizmente não dá pra sair por aí parindo, porque tem muita gente nesse mundo que não se comove nem com os 25 minutos iniciais de "O Resgate do Soldado Ryan" nem com a dor que fica nas mães e nos pais quando seu soldado não volta pra casa.

domingo, 7 de setembro de 2008

A COR DO GOL



X
Copa do mundo de futebol, França 1998, na primeira fase África do Sul enfrenta a Dinamarca. No Brasil, no mesmo momento, César, que trabalha de porteiro e zelador em um pequeno condomínio em Recife, assiste ao jogo com alguns condôminos. Todos no terraço, TV ao ar livre. Os condôminos que assistem ao jogo, todos de pele clara, na maioria mulheres. Se os homens não pareciam ter decidido por quem torcer, as mulheres começam a torcer contra aqueles que elas chamam de macacos - o time africano. "Vamos ! Não deixem esses macacos ganhar!" , "Vai! Chuta, esse nêgo!" . Depois de vários "negro safado"e "macaco", um gol da África do sul.
"Golaço!" , um grito de vitória com um soco no ar. Todos se viram surpresos para o torcedor da África do Sul. Era César com jeito de vingado, que não havia sido percebido como "macaco". Seu avô materno era seu ancestral mais próximo que poderia ser chamado de "macaco". Pela mestiçagem, sua pele castanha normalmente não era identificada como indício de sangue africano. Mas se os brasileiros brancos queriam ser príncipes de alguma fábula dinamarquesa, César não tinha esquecido de sua herança africana.

África do Sul 1X 0 Dinamarca.

Seria um final feliz, como quando Jesse Owens, atleta negro americano, ofuscou, com o brilho de 4 medalhas de ouro, os planos de Adolf Hitler de usar as olimpíadas de 1936 em Berlin, na Alemanha, para provar a superioridade da raça ariana.

Entretanto, naquela partida da copa de 1998, a Dinamarca empatou o placar, 1 X 1.
A final da copa foi disputada por dois times bem coloridos, Brasil e França. Pra quem não sabe, a França é o país mais mestiço da Europa, principalmente negros e árabes estão mudando o conceito "francês típico". Naquela noite a França venceu a copa pela primeira vez no que foi chamada a vitória a dos rejeitados, com um time mestiço.
Naquela noite, o time brasileiro tinha os chamados de macacos, os semi-macacos, mas nenhum príncipe dinamarquês, mesmo assim César e os brasileiros-dinamarqueses foram dormir igualmente tristes, no único momento que os brasileiros são uma única nação, quando a pátria tem chuteiras.

Jogos Olímpicos de Beijing, China, 2008. A grande nação brasileira consegue 3 míseras medalhas de ouro.

O mote dessas Olimpíadas foi "One World, One Dream" - Um mundo , um sonho. A unidade do Brasil calça chuteiras, mas quando as tira, quando não está vestindo a amarelinha, é um país dividido. Um país que zomba do sotaque nordestino, que chama seus conterrâneos de macacos, dividido entre um alfabeto inteiro de classes.
One Brazil, One Dream - Um Brasil, Um Sonho - quando o Brasil for UM também sem as camisas amarelas, e os descamisados sonharem Um sonho juntos com macacos, patricinhas, cachorras, cabeças-chatas, e outros adjetivos que apagam uma palavra maior - NAÇÃO, César e os brasileiros de qualquer cor poderão viver juntos um sonho
sonhado não só com chuteiras nos pés. Será um sonho colorido, mestiço, não uma fábula européia.